Terça-feira, Abril 29, 2008
Ambos tem que ceder

As relações humanas, de qualquer natureza, alimentam-se do entendimento. Se não houver isso, elas morrem. E desentendimentos, principalmente os frutos de mal-entendidos, acontecem o tempo todo. E quando acontece, é preciso importar-se com a coisa, mais que com o orgulho próprio, e ir lá, explicar os fatos, buscar a concordância, ou ao menos superar a dúvida.

Mas cansei de ceder sozinho. Cansei de me desculpar por coisas que não fiz. Claro que ainda tento, porque ainda quero, mas os dois lados precisam querer. Se não, não adianta...

Misread
Kings Of Convenience

If you wanna be my friend
You want us to get along
Please do not expect me to
Wrap it up and keep it there
The observation I am doing could
Easily be understood
As cynical demeanour
But one of us misread...
And what do you know
It happened again

A friend is not a means
You utilize to get somewhere
Somehow I didn't notice
friendship is an end
What do you know
It happened again

How come no-one told me
All throughout history
The loneliest people
Were the ones who always spoke the truth
The ones who made a difference
By withstanding the indifference

I guess it's up to me now
Should I take that risk or just smile?

What do you know
It happened again
What do you know


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Quinta-feira, Abril 24, 2008
O Sonho de Ícaro

Dédalo e seu filho haviam sido presos pelo rei Minos dentro do labirinto do Minotauro. Dédalo, que já havia ensinado Teseu a sair do labirinto com um novelo, desenvolveu outra estratégia para sair do labirinto com seu filho, já que as saídas estavam todas vigiadas por guardas, a mando do rei Minos. Construiu asas com penas de pássaros, colando-as com cera.

Antes de sair do labirinto voando, Dédalo advertiu seu filho, Ícaro, de que não deveria voar alto demais, pois o Sol poderia derreter a cera, nem baixo demais, pois a umidade do mar poderia "pesar" as penas.

Mas Ícaro sonhava encontrar as estrelas. Maravilhou-se com a sensação de voar, esqueceu-se das recomendações de seu pai, e voou, e voou... Alto demais.

A mitologia não conhece os conceitos modernos de aerodinâmica. Muito menos Ícaro conhecia. Mas talvez o Padre Ademir de Carli conhecesse.

Sonho de Ícaro
Byafra

Composição: Pisca / Claudio Rabello


Voar, voar
Subir, subir
Ir por onde for
Descer até o céu cair
Ou mudar de cor
Anjos de gás
Asas de ilusão
E um sonho audaz
Feito um balão...

No ar, no ar
Eu sou assim
Brilho do farol
Além do mais
Amargo fim
Simplesmente sol...

Rock do bom
Ou quem sabe jazz
Som sobre som
Bem mais, bem mais...

O que sai de mim
Vem do prazer
De querer sentir
O que eu não posso ter
O que faz de mim
Ser o que sou
É gostar de ir
Por onde, ninguém for...

Do alto coração
Mais alto coração...

Viver, viver
E não fingir
Esconder no olhar
Pedir não mais
Que permitir
Jogos de azar
Fauno lunar
Sombras no porão
E um show vulgar
Todo verão...

Fugir meu bem
Pra ser feliz
Só no pólo sul
Não vou mudar
Do meu país
Nem vestir azul...

Faça o sinal
Cante uma canção
Sentimental
Em qualquer tom...

Repetir o amor
Já satisfaz
Dentro do bombom
Há um licor a mais
Ir até que um dia
Chegue enfim
Em que o sol derreta
A cera até o fim...

Do alto, o coração
Mais alto, o coração...


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Quarta-feira, Abril 09, 2008
Caráter Fake

É comum as pessoas criarem um universo virtual paralelo para si. Seria mais ou menos como se tivessem uma vida real, e uma vida virtual. Assim, sentem-se livres para agir, na Internet, de forma que jamais agiriam no tête-à-tête.

No orkut essa separação de princípios toma uma forma ainda mais definida, agressiva e boçal. Surge através dos famosos fakes. Ou seja, uma pessoa real cria um orkut falso, com nome falso, dados pessoais falsos, fotos falsas, amigos falsos... Entra com esse perfil falso em alguma comunidade virtual, e dispara seu arsenal de mediocridades, desrespeitos, mentiras e ofensas. Claro que sempre proferidas contra pessoas com quem tem desavenças pessoais, reais, da maneira mais covarde, pusilânime e desprezível possível.

Depois, com sua vil pachorra, o dono do perfil falso entra com seu perfil real e discursa a todos que "não se deve levar o orkut tão a sério", e "não é pra levar briga de orkut para a vida real".

Ora, briga, seja ela qual for, não deve sequer ser levada. Quanto menos a sério! Agora, o que faz um ser com telencéfalo teoricamente desenvolvido, e polegar opositor, imaginar que pode eximir-se de seus valores morais quando em contato com outras pessoas reais (e não virtuais) pela rede?

Talvez por eu ter toda uma vida social pela Internet, e ter estabelecido pela rede relacionamentos realmente verdadeiros, sinceros e muito caros, não consigo conceber, por exemplo, que uma pessoa que aja de forma tão inescrupulosa no seu mundo virtual, possa ser uma pessoa melhor pessoalmente.

E é simples: quem tem um perfil fake, tem também um caráter fake, pois caso contrário diria tudo que tivesse pra dizer com seu perfil real.


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Domingo, Março 23, 2008
Geek

Algumas pessoas gostam de me chamar de nerd. Nunca me importei com isso. Pelo contrário, até tenho um certo orgulho (não sei se é bem essa a palavra) do meu lado nerd.

Só que existem características "essenciais" para que um indivíduo seja chamado de nerd, e eu não respeito a maioria delas.

Por definição, um nerd:

- Sempre esteve entre os melhores alunos na escola.

- Gosta de estudar e estar sempre aprendendo coisas novas.

- Passa horas no computador.

(Até aí, acho que me encaixo)

- Adora Star Wars, do tipo que assistiu todos os filmes, de todas as eras, e todos os remakes, e é capaz até de reproduzir boa parte das falas.
(Eu odeio! Nunca assisti um filme da série inteiro)

- Gosta de animes, mangás, e variações.
(Sequer sei diferenciar uma coisa da outra. Odeio!)

- É viciado em RPG, e inclusive vai a encontros vestindo-se como os personagens.
(Nem sei como isso funciona. Me parece muito estranho)

- Não consome bebidas alcoólicas.
(Agora mesmo, estou ressacado)

- Não namora ou tem dificuldades para se relacionar com pessoas do sexo oposto.
(Namoro há 6 anos, antes namorei 2,5 anos, e antes tive outras namoradinhas)


Então não sei se sou um nerd. Existe uma outra denominação (que alguns consideram uma subcategoria de nerd, outros entendem como uma outra vertente) que é o Geek.

Geek é um cara mais ligado ao mundo dos computadores, da eletrônica, da alta tecnologia.

Segundo o Wikipédia, uma pessoa pode ser considerada um geek pelos seus pares se reunir grande parte das seguintes características:

- Na escola costuma(va) corrigir seus professores. (É, acontecia, às vezes)

- É um hacker, no bom sentido do termo. (Não sou do tipo que fica buscando brechas do sistema, mas o mínimo de conhecimento para segurança eu tenho)

- Geralmente usa algum sistema operacional Unix, de preferência livre[2], como o GNU/Linux ou algum da família BSD. (Já usei bastante sim. Hoje, como programo sobre a plataforma .Net, que é da Microsoft, sou forçado a usar o Ruindows mesmo)

- Gosta de trivia, Jogo da vida (Conway's Game of Life) e outros jogos lógicos como puzzles. (Adoro tudo que envolve raciocínio lógico. Sempre que acho um desses, passo horas...)

- Adora computadores (e freqüentemente são capazes de programá-los). (Quem me conhece, sabe. Minha vida profissional e até social está em boa parte nos computadores. Até meu lazer é aqui)

- Gosta de jogos de computador. (Meu primeiro videogame depois do Atari foi um MSX - que é um computador beeem antigo - e desde então, nunca parei de jogar. Sempre jogo. Só que, ao contrário da maioria dos viciados em jogos eletrônicos, eu não jogo - acho que nunca joguei - o tal Counter Strike)

- Gosta de tudo relacionado a alta tecnologia e eletrônica. (É só ver meu histórico escolar. Técnico em Eletrônica, Bacharel em Informática)

- Não raro faz parte de role-playing games, tanto online quanto de mesa como xadrez e war - tais jogos põe em uso sua capacidade criativa. (Isso coincide com os nerds, e como eu disse acima, não é comigo)

- Gosta de ficção-científica/fantasia, em filmes, livros ou videogames. (Também como eu disse sobre os nerds, detesto Star Wars, Star Trek, e qualquer coisa estelar. Mas entre meus livros preferidos estão Admirável Mundo Novo, e a série do Guia do Mochileiro das Galáxias, que é pura ficção/fantasia)

Então, dados requisitos, estou mais pra geek que pra um nerd "comum".

O problema são esses rótulos, pois eles tendem a agrupar pessoas iguais. Mas as pessoas não são iguais. Nenhuma delas é igual a outra.



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Segunda-feira, Março 03, 2008
Voltaire

Nós nascemos sozinhos. Nós vivemos sozinhos. Nós morremos sozinhos. E qualquer coisa neste intervalo que possa nos dar a ilusão de que não estamos sós, nós nos agarramos a ela.


Sem mais...

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Terça-feira, Janeiro 08, 2008
Sofredora
Augusto dos Anjos

Cobre-lhe a fria palidez do rosto
O sendal da tristeza que a desola;
Chora - o orvalho do pranto lhe perola
As faces maceradas de desgosto.


Quando o rosário de seu pranto rola,
Das brancas rosas do seu triste rosto
Que rolam murchas como um sol já posto
Um perfume de lágrimas se evola.


Tenta às vezes, porém, nervosa e louca
Esquecer por momento a mágoa intensa
Arrancando um sorriso à flor da boca.


Mas volta logo um negro desconforto,
Bela na Dor, sublime na Descrença.
Como Jesus a soluçar no Horto!


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Terça-feira, Dezembro 18, 2007
Mais uma da série...

Essa música sou eu

Simplicidade
Pato Fu

Vai diminuindo a cidade
Vai aumentando a simpatia
Quanto menor a casinha
Mais sincero o bom dia

Mais mole a cama em que durmo
Mais duro o chão que eu piso
Tem água limpa na pia
Tem dente a mais no sorriso

Busquei felicidade
Encontrei foi Maria
Ela, pinga e farinha
E eu sentindo alegria

Café tá quente no fogo
Barriga não tá vazia
Quanto mais simplicidade
Melhor o nascer do dia





Porque "são as pequenas coisas que valem mais"....

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Segunda-feira, Novembro 26, 2007
Anyone can play guitar



Tantas foram as vezes em que ouvi pessoas me dizerem que adorariam tocar violão, mas que não levam muito jeito pra coisa. E sempre que ouço isso, cito o mesmo diálogo que ouvi uma vez, num grupo de jovens do qual participei:

- Putz, sou louca pra tocar violão.
- E já tentou?
- Já, mas não tenho o dom.
- Dom? Pra tocar violão você não precisa de 'dom'. Precisa de violão. Você tem um?
- Não.
- Então fica difícil mesmo.


É esse mesmo o problema. Há pessoas que acham que podem aprender a tocar naqueles fins de festa em que o violão fica abandonado num canto. A pessoa pega e começa a brincar. Aí o violonista, bêbado, irritado com o som destonado, e às vezes cheio de segundas intenções, chega perto e começa a "ensinar" dois ou três acordes. No dia seguinte, ambos estão sóbrios, o violão na casa do violonista, e a aprendiz... Bom, essa talvez, e apenas talvez, se lembre de um dos acordes no próximo churrasco.

Assim fica difícil mesmo.

Violão é prática. Se eu, descordenado como sou, sei tocar alguma coisa (tudo bem que nada muito bom, mas pra extravazar de vez em quando, tá ótimo), então qualquer um pode. Basta treino. E, pra isso, é essencial ter um violão. E mais: um violão "a mão". Provavelmente minha mãe sempre preferiu que ele não ficasse num suporte armado no meio do quarto, e sim numa capa qualquer, guardado num armário qualquer, ou em cima dum guarda-roupas qualquer. Mas é assim que estão até hoje os violões das pessoas que dizem a célebre frase:

"Eu tocava, mas faz tempo que não pego (o violão)".


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Quinta-feira, Novembro 22, 2007
Quero votar com cédula de papel!

Acho que vou começar um movimento com esse nome. Não que eu tenha ascos à tecnologia, muito pelo contrário, óbvio... Mas é que quando eu era pequeno, sempre ouvia as pessoas comentando peripécias que faziam com as cédulas na hora de votar. Mas vou pular os comentários escatológicos e me restringir ao que escreviam.

Por exemplo, ouvia dizer que, apesar do candidato X ter sido eleito, os mais votados mesmo eram Pelé, Xuxa, Silvio Santos, entre outros. Tudo bem que o Seu Silvio quis estragar a brincadeira certa vez e entrou mesmo como candidato, mas aí não deu certo. Aí perde a graça, Seu Silvio!

Eu queria votar em cédula de papel. Uma vezinha só. Já até sei o que botaria lá.

Juninho Bill pra Presidente do Brasil!


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Domingo, Setembro 16, 2007
Cada vida, ou par de vidas, registra uma história distinta.

Qualquer tentativa de dedução, constatação, ou previsão, baseada em senso-comum, é generalização, logo, burra.


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"Não sei se o mundo é bom, mas ele ficou melhor quando você chegou".

'Espatódea', de Nando Reis