Domingo, Agosto 29, 2004
Rapidinhas Olímpicas (Pra não dizer que não falei de...)

- Sem muitas surpresas. Acho que a única foi o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima. Algumas decepções, mas no sentido de que podia ter sido melhor. Mas teve uma exceção: a seleção feminina de vôlei... nem dá vontade de falar. Foi a coisa mais triste e revoltante dos jogos.

- A vitória mais marcante, na minha opinião, foi a que não houve. Explico: a prata no futebol feminino foi o maior símbolo da superação de um grupo. Mas fica o sentimento de que podia ser ouro.. que pena. A derrota mais marcante eu nem preciso dizer (vide ítem anterior)... nunca vou esquecer aquilo .

- A Daiane... eu não esperava ouro não. Mas nem bronze.. :-/ Só que a derrota dela eu entendo. É um esporte traiçoeiro, e ela errou porque tentou. Mas o volei feminino... argh!

- Uma coisa eu confirmei nestes jogos. Brasileiros em geral, mas em especial as mulheres, são altamente movidos pelo psicológico. Se estão perdendo, se abalam. Se estão ganhando, relaxam. :-P Fica a dica pra, nos próximos jogos, levarem uma grande equipe de psicólogos juntos. Será que é questão cultural isso? É gana de ganhar? Ou é imaturidade? Não sei...

- Quando rolam eventos globais como estes, os estadunidenses conseguem perceber um pouquinho como são odiados. Porque, acreditem, eles ainda acreditam que são adorados, e são como heróis no mundo todo.

- Aliás, é legal como os jogos olímpicos retratam o contexto mundial. Os EUA em decadência, a China em ascensão. Em 2008, em Pequim, com certeza os EUA perdem a hegemonia. Amém!

- Bernardinho é O CARA! Renê Simões é muito muito bom e competente também. Ambos primam pelas mesmas características: inteligência e controle emocional (do time).

- Que mais? (Se eu lembrar, ou vocês, volto aqui pra alterar)

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Segunda-feira, Agosto 23, 2004
Decadence Avec Elegance

(Eu acho que já falei sobre isso, mas enfim...)

Decadência sim, mas com elegância, por favor. De todo o meu passado, boas e más recordações. Nossos ídolos ainda são os mesmos, mas a aparência e a postura... envelheceram, e muito.

Até bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo. Mas já não somos tão jovens, nem crianças a ponto de saber tudo. Um dia, saímos daquela febre de juventude e já não temos dedos pra contar os problemas e frustrações. Instintivamente, passamos a ver o lado prático, mas eficaz. O capital também ganha seu valor, ou melhor, passamos a notá-lo com maior evidência. E meus bons amigos, onde estão?

Aqueles homens do bom e velho Rock'N'Roll que fizeram nossas cabeças há anos atrás são pessoas como nós. No começo, havia ideologia. Havia ímpeto. Havia sede de protesto e mudança. E mesmo pra falar de amor, falava-se com rebeldia. Porém, o tempo passa e nem tudo fica. A música envelhece. Começam a gravar Roberto Carlos, ou pior, passam a lançar discos da moda voltados para o público da mesma idade de quando a gente ouvia... Tentam fazer sucesso antes que isto seja tarde. Mas eles não percebem que antes faziam o que sentiam, e agora fazem papel de bobos. Contrato milionário, grana, fama e mulheres. A música não importa, o importante é a renda.

Além de assistir nossos antigos ídolos cantando bla bla blá, eu te amo no rádio, me preocupo com esta juventude carente de ideologia. Como é que vão crescer sem ter com quem se rebelar?

O lema agora é: Mim quer tocar, Mim gosta ganhar dinheiro, mesmo que seja fazendo acústico pra MTV e cantando com playback em programa de auditório.



Nota: Este post contém citações de

Lobão - Decadence Avec Elegance, Radio Bla Blá
Ira! - Flores em Você
Belchior - Como Nossos Pais
Legião Urbana - Quando o Sol Bater..., Tempo perdido e Quase Sem Querer
Lulu Santos - Tudo Bem
Guilherme Arantes - O Lado Prático
Barão Vermelho - Meus Bons Amigos
Cazuza - Ideologia
Nenhum de Nós - Sobre o Tempo
Plebe Rude - Minha Renda
Ultraje a Rigor - Rebelde Sem Causa e Mim Quer Tocar


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Terça-feira, Agosto 17, 2004
Sobre a volubilidade cibernética

- ... Mas o que você faz na internet?
- Ai, eu adr tc no chat... aparece lá dps, blz?
- Tá. É que não tenho muita paciência, mas eu entro.

(algum tempo depois...)

- Eu entrei no chat que você falou, mas não te encontrei. Aliás, não encontrei nada lá.
- Chat? Ns, vc tah por fora... o lance agora é icq.
- ICQ? Que diabos é isso?
- instala q vc ve.. eh muito bom.

(mais algum tempo depois...)

- Eu nunca te encontro naquele ICQ!
- Ah! i icq eh mto ruim... uma m.. soh dah pau... eu soh uso msn agora.
- Mas aí vou ter que ter os dois instalados agora, porque tem gente no meu icq já... Tá, tá bom, eu instalo.

(mais algum tempo ainda...)

(trocando mensagens no MSN)
- Oi, tudo bem? - (longa demora...) - Está aí?
- sim, estou.. mas ñ posso responder pq to mexendo no orkut...
- Orkut... Lá vem mais uma...
- eh mto bom.. estou viciada.... vou te mandar o convite.

(*poucos* dias depois...)

- Você precisa aceitar meu convite no tal Orkut.
- eh q ñ entro mais naquela droga... agora soh uso o multiply.
- Sei como é. Me fala qual a próxima onda pra eu ver se me antecipo a você...



PS: Isso porque nem incluí IRC, Blogs, Fotologs e etc....

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Quinta-feira, Agosto 12, 2004
mini-série: Anti-Ajuda - capítulo II

E se eu lançasse um livro intitulado: Como conseguir orgasmo com as próprias mãos... ?

- Mas, Andy, isso todo mundo sabe...

Claro que sim. Não é nisso que consiste um livro de auto-ajuda? Um monte de coisas que qualquer pessoa sabe (ou seria capaz de deduzir sozinha) e a promessa do prazer pessoal? Então...



PS: Eu ía colocar pedaço de texto que estaria no livro, narrando a masturbação.. Mas acho que isso não seria muito bem aceito.. haha!



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Domingo, Agosto 08, 2004
Nova mini-série: Anti-Ajuda

(mas começando com definição, porque eu gostei da coisa...)

leviano

[Do esp. leviano.]
Adj.
1. Que julga ou procede irrefletidamente; precipitado, inconsiderado, imprudente.
2. Sem seriedade; inconstante: 2



Existem alguns discursos clássicos que defendem que só nos arrependemos do que não fazemos. Lemos em qualquer livro ou texto estilinho 'auto-ajuda' que nossas ações devem se pautar por nossas emoções, devemos seguir nossos corações, fazer sempre o que se tem vontade, e etc.

Ora essa, então tenho aqui um cérebro humano sobrando... Alguém interessado?

Para que serve a racionalidade de nossa espécie se não para ponderar as atitudes? E justamente quando nos deparamos com um momento de decisão, vamos deixar de lado a razão?

Entendam que não sou contra a busca da felicidade, mas quem se engana... A felicidade não está em obedecer os instintos. E não me pergunte onde ela está então, pois se eu soubesse estaria lá agora. Mas o fato é que o que te satisfaz no momento pode ser a ruína de sua vida. A inércia também pode.

O momento de ponderar é agora. Agir racionalmente não significa abdicar da vontade de nosso coração. Significa, sim, levantar todo o custo e conseqüência de cada ação (ou inação) e procurar executar o que menos lhe subtraia.

Uma dica: no levantamento de custos é a hora de atribuir a importância do que seu coração lhe pede.


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Quarta-feira, Agosto 04, 2004
Rapidinhas bloguísticas

- Saiu hoje, quarta (e não terça como eu havia dito) o meu post no Mondo Redondo. Vão lá ler. É uma homenagem aos meus avós maternos.

- Pelo que notei durante estes dias sem posts, minha mini-série já está impopular (ou talvez ninguém mais entre aqui). Então, ela se encerra, e sabe-se lá o que vem por aí, e se vem.

- Ainda sobre o post anterior, e ainda sobre meus avós... Só pra esclarecer, a escolha da palavra resignação não fazia referência ao amor, mas à morte. Se fosse no amor, talvez a resignação fosse um mal realmente (talvez não), mas na morte, ela (a resignação) é muito bem-vinda.




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Segunda-feira, Agosto 02, 2004
Definições aurelianas - capítulo 6

resignação

[De resignar + -ção.]
S. f.
1. Ato ou efeito de resignar(-se).
2. Renúncia espontânea de uma graça ou de um cargo.
3. Submissão paciente aos sofrimentos da vida.



Como diriam os franceses, c'est la vie...


PS: Eu demorei pra postar porque pretendia contar aqui uma linda história sobre destino, amor e resignação, mas como ainda falta preencher algumas lacunas... ela vai ficar pra terça, no meu post do Mondo (hope so).

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"Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo".

Renato Russo, na música 'Mais Uma Vez'